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Abr 11

GREVE A ESTA ESPÉCIE DE DEMOCRACIA

 

“Bastonário dos advogados admirado com os portugueses que ainda votam

Marinho e Pinto incita a “uma greve à democracia”

16.04.2011 - 09:12 Por PÚBLICO

António Marinho e Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, incita os portugueses a uma espécie de “greve à democracia” nas eleições legislativas antecipadas de 5 de Junho, frisando que não compreende como é que os portugueses ainda votam.

«Era a grande punição democrática para a mediocridade, oportunismo e incompetência de todos os políticos portugueses. Era envergonhá-los publicamente perante a Europa e o mundo», acrescentou.
Marinho e Pinto entende que só assim seria possível aquilo que classifica de uma “refundação da República, sem velhos recursos a estereótipos revolucionários”.”

 

Tomei a minha decisão, já sei o que vou fazer no dia 05 de Junho de 2011, dia das Eleições Legislativas intercalares, que não desejei, mas que ainda assim me deram que pensar e meditar para chegar a uma opção.

Relativamente ao voto em branco ou abstenção, continuo com dúvidas de que só o fato de ir lá dar um papel em branco para a caixinha não venha a favorecer o sistema que tanto quero mudar. Não seria melhor a total indiferença e rejeição, que é do pior que se pode fazer a um ser humano?

A abstenção!

Nisto e noutros assuntos, muitos, estou completamente de acordo com Marinho Pinto, seria a maior desobediência civil ao sistema a que chamam Democracia e a melhor forma de mostrar o que pensamos desta classe política.

Entretanto, eu acrescento porque de outra maneira não fará tanto sentido, esse gesto deve ser devidamente acompanhado por manifestações de rua por todo o país demonstrando que a abstenção é assumida e não o é porque fomos para a praia ou para outro sítio qualquer.

Mas entendem a dúvida? Será que o voto em branco não mantém o sistema? É que para todos os efeitos legais os votos em branco são ‘contabilizados’.

No método de Hondt, os brancos são votos 'contabilizados' e são votos válidos, para todos os efeitos. São votos do e no sistema.

Quer dizer, quem vota em branco, estará a dizer, mais ou menos isto, aceito este sistema mas não me revejo em nenhum destes partidos.

Para efeitos de leitura e análise política terão o seu peso.

A abstenção com manifestações obrigaria o PR e os agentes deste sistema a tirar elações bem concretas e poderia favorecer os partidos mais pequenos, ao fim e ao cabo...

Isto porque se se reparar nas campanhas eleitorais, nos últimos 3 dias há uma questão em que todos os partidos se unem e apelam em coro, insistentemente, que é para as pessoas irem votar.

eleicao

Eles receiam a abstenção como o 'Diabo foge da Cruz’.

Será a abstenção no método de Hondt um golpe de estado?

E depois ir votar porquê e em quem? Na verdade estão a dar-nos a escolher entre os mesmos que nos colocaram nesta situação, isso tem lógica? Faz sentido para alguém?

Esta estória da dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições é um ato de cobardia de quem ocupa o cargo de Presidente da República, dos Partidos e Políticos portugueses.

Mais tarde vão responsabilizar o Povo Português pelas decisões que tomou em sede eleitoral… até se fez Democracia, dirão!

Mas não contarão a verdade que é a de se apresentarem os mesmos partidos e políticos a votação popular, a de quererem mais um aval do Povo para prejudicar ainda mais o país e encherem os bolsos, à custa do próprio Povo! 

Estão a dizer-nos para fazer uma opção? Uma escolha? Ou estão a apresentar-nos o mesmo do mesmo?

Já que não forçámos um governo de unidade nacional, vamos agora mostrar a estes hipócritas o que valemos e o que eles merecem!

Não colocaria estas dúvidas se realmente eu acreditasse ainda viver num sistema democrático.

Nós vivemos sob um regime e sistema de ‘Ditadura Partidocrática’ que se foi alicerçando desde os tempos de Mário Soares e ao qual ele na altura chamou de 'Pluralismo Democrático' em oposição ao totalitarismo que nos estavam a tentar 'meter' cá dentro.

Eu digo assim porque sou contra qualquer tipo de ditadura, seja política, social, empresarial, etc... e era disso que se tratava.

Não faz parte de mim, do meio feitio... Portanto a questão que se me coloca com estas eleições de votar em branco ou abster-me tem a ver com a melhor forma de deitar abaixo este sistema e se possível este regime, dando azo a que se recomece algo de novo, tendo muita atenção a qualquer tentativa de aproveitamentos totalitários ou outros quejandos.

Creio que seríamos capazes, somos, de conseguir levantar uma Democracia Direta, repor o nosso sector primário a funcionar e todos os outros que esta ‘gente’ e os UE/Alemães e Franceses fizeram por destruir dando cabo deste país que praticamente nada produz de bens de primeira necessidade, dependendo exclusivamente do exterior.

Deram-nos, ou, melhor, emprestaram-nos muito dinheiro para que fossemos mais um mercado de consumidores dos produtos deles.

Mandaram-nos queimar excedentes de bens alimentares para poderem manter ou mesmo encarecer preços como queriam, isso é de uma exploração pérfida a toda a prova, e, além disso desumano enquanto houver fome no mundo e até aqui no país, como chegou a acontecer.

Numa verdadeira Democracia isso não seria possível, tenho a certeza!

Claro, esta é uma proposta que estou a fazer em simultâneo, e, não é a primeira vez, em vários grupos de debate no Facebook e com mais amigos a outros conhecidos, o que será pouco.

É necessário que os portugueses se apercebam verdadeiramente no que está em jogo e o que está é o próprio país, a sua própria vida e dos seus filhos, por essa razão é que está na hora de ir para a rua e dizer BASTA!

Seria necessária a mobilização através de um ou vários grupos que pensem da mesma forma, isto é, acabar com este sistema e criar um novo, assunto já demasiadamente debatido mas sem que muita gente se movimente, extrapolar para o exterior o máximo possível dessa mensagem, através de várias formas de atuar com base nos meios de comunicação correta e direccionada, tal como o faz este sistema podre, mas que teima em não querer cair.

Já nada tenho a perder e se continuo a sonhar e lutar é pelos meus filhos e por todos os outros, a ver se ainda conseguimos evitar que se lhes hipotequem o futuro.

O principal motivo pelo qual os nossos políticos dos partidos candidatos às eleições legislativas dizem para as pessoas lá irem votar mesmo que não seja neles, que é preciso é exercer o direito cívico e blá, blá... nesses três últimos dias de campanha, nem se atacam muito uns aos outros, retraem-se e incessantemente apelam ao voto como vendedores de 'banha da cobra', para além da vergonha do resultado que seria uma abstenção em percentagem altíssima não é senão a Lei do Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais (Lei 19/2003 de 20 de Junho), artigo 5.º Subvenção pública para financiamento dos partidos políticos: "2 - A subvenção consiste numa quantia em dinheiro equivalente à fracção 1/135 do salário mínimo mensal nacional por cada voto obtido na mais recente eleição de deputados à Assembleia da República."

Quer dizer se a Remuneração Mínima Mensal for de 485 Euros, dá 3,59 Euros por voto válido.

Por cada voto num partido, os partidos recebem 1/135 da Remuneração Mínima Mensal (RMM), ou seja cerca de 3,59 Euros, de acordo com a Lei do Financiamento dos Partidos.

Se votarem BRANCO, NULO ou se se ABSTIVEREM, os partidos não ganham nem um cêntimo.

Concluindo a análise, num sistema democrático em funcionamento normalizado, ficaríamos esclarecidos relativamente às opções de votação e tudo seria muito fácil.

No caso concreto que temos entre mãos, isto é, que nos impuseram, em que temos que decidir se queremos manter este sistema sócio político e económico, entrar no jogo da classe política, ou antes, do poder económico-financeiro nacional e internacional, pagarmos os erros desses senhores que só têm lucrado com tudo isto, antes, durante e irão lucrar depois da crise, deixar hipotecar o nosso território, assim como, a nossa riqueza natural e histórica, o futuro deste país, a situação torna-se mais profunda e qualquer tipo de voto expresso com a nossa presença nas assembleias e mesas eleitorais é um sinal de que damos o aval para isso.

Votar em branco ou anular o voto, conta, porque quanto mais destes votos forem apurados menos votos e percentagens obtêm os partidos.

Para a distribuição dos mandatos é que não contam.

Os votos em branco e nulos podem ter tantos significados que acabam por não ter um específico. 

Sem demagogias, fazendo o ‘mea culpa’ temos que confessar que se estes políticos lá estão, foram lá postos por nós, votando neles, votando em branco ou nulo, e, mesmo com a nossa abstenção, sem que permitíssemos que se pudesse fazer uma leitura e análise correta do resultado das eleições, parecendo mais um campeonato de futebol, que uns gostam e outros nem tanto.

Assim sendo, se queremos romper com esta situação e o queremos demonstrar, só temos uma opção e é a ABSTENÇÃO, mas uma abstenção consciente, demonstrada nas ruas após o encerramento das urnas, por todo o país como se deve realizar realmente uma greve.

Tudo realizado de forma ordeira, tranquila e pacificamente, mas em festa a celebrar a vitória do Povo Português, porque se as eleições são o que nos resta, pois que assim seja.

Só assim daremos a leitura e análise que os agentes deste regime tanto temem um dia terem que fazer.

Esta é a minha opção, não me resta mais nada a fazer, é para isto que vou lutar, deixo-a aqui a quem possa interessar… da minha parte, fico de consciência tranquila, não vou votar útil, nem no ‘Mal Menor’, nunca o fiz e não seria, muito menos, nestas eleições.

Não se esqueçam do 12 de Março, em que alguns ‘panicaram’, mas que acabaram por dar a volta e envolver o acontecimento e levá-lo para dentro do sistema, mostrando ao mundo que linda que era a ‘Democracia’ em Portugal… que podiam fazer de nós o que quisessem!

  

publicado por FV às 16:54
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08
Abr 11

Não renego a História de Portugal e o que se passou nos cerca de 900 anos que temos, muito menos nos anos antes do 25 de Abril de 1974, mas o que tenho vontade de escrever é sobre o pós golpe de estado dos cravos, porque tenho andado a pensar nas eleições que eu não penso que não deveríamos ter, pela falta de Democracia e Liberdade em que estamos a viver, pela chantagem, cobardia e irresponsabilidade dos políticos, dos partidos - partidos são constituídos por muita gente, não são? – e do nosso Presidente da República que deixam a responsabilidade de, ‘às escuras’, sem conhecer a real situação do estado, exigir aos eleitores portugueses que decidam o futuro deste país que eles afundaram e que o façam obrigatoriamente escolhendo-os a eles outra vez.

É isto a Democracia? Onde? Em que país?

Votar? Como votar? Em que partido votar?  

eleicao

Votar ou não votar, eis as eleições do meu descontentamento!

Eu, que me zanguei com os políticos portugueses quando o teto para aumentos salariais, no meio também de uma grande crise, era de 17% e na Assembleia da República os deputados da nação se fizeram aumentar, por maioria, a si próprios e respetiva classe, 27%, justificando-se com a dignidade dos cargos e outras patranhas do género?

Que fique claro que estava em início de carreira e passei de um ordenado de cerca de 8 000$00 para 22 500$00, mas rebelei-me por considerar uma injustiça e como é evidente ainda hoje o considero.

Então como é que, hoje, estando a acontecer ainda pior, eu vou votar nesta classe?

Antes, tivemos políticos ‘profissionalões’, que viviam do ‘pensamento’, a ‘intelectualizar’, a lutar, nalguns casos honra lhes seja feita, pelos valores e ideias de justiça e liberdade em que acreditavam, mas de economia, direito, diplomacia, agricultura, engenharia e outros temas importantes também para a governação, nada sabiam, não queriam e nem se queriam rodear de quem realmente entendia e deu no que deu, um embrião do que hoje temos, o ‘Pluralismo Democrático’.

Verdade que essa foi a alternativa a uma mais que provável ditadura de esquerda sem muita eira, nem beira, e, que me perdoem os saudosos desse tempo, sejamos frios e objetivos, andava tudo um bom bocado tresmalhado e com muita gente a querer mandar, na mesma direção ou similar, mas por caminhos… ele havia cada um… ainda assim, já nesse período havia quem argumentasse outros andamentos, acompanhando a modernidade, até a integração na então CEE, mas com cabeça, muita cabeça e no presente seríamos um país diferente e mais importante, diferenciado na Europa, referenciado pela nossa situação geoestratégica em diversas atividades comerciais e industriais, um portal no ocidente para a Europa, África, as Américas, Médio e Oriente.

Já nessa época se falava de Democracia Participativa, essa a verdadeira, a do povo, não a dos partidos e não de todos, a de alguns, a bipolarização e os patinhos feios, recordam-se?

Em vez dessa modernidade saiu-nos outra, a dos governos de políticos tecnocratas, dos oito saltámos para o oitenta, para a política do betão, do alcatrão e do aldrabão, assim como do consumismo desenfreado que nos levou ao próximo, ali já a seguir, endividamento e respetiva crise do país e das famílias, outra que não esta.

É porque esta já de si, até parece cíclico, e, não é que de 10 em 10 anos, aproximadamente, há mesmo uma crise económica como dizem os entendidos, pois bem, esta foi muito bem organizada, planeada e preparada pelos senhores do económico-financeiro para lucrarem antes, durante e após, como se tem estado mesmo a assistir, eles e as suas empresas, leia-se maioritariamente bancos.

Estes, os atuais políticos são os amigos e antigos colegas dos filhos e dos novos banqueiros e financeiros da nossa praça.

Aprenderam com eles a gostar do que é bom e do melhor, nunca querendo mais nada para eles. Esqueceram-se que eram rebeldes, revolucionários, anarquistas, radicais ou extremistas de esquerda, de direita havia poucos, mas também havia, porque aquilo não passou de uma moda e andavam todos juntos naquela festança.

Até se ia mudando conforme havia mais ou melhores miúdas aqui ou ali!

Assim uma espécie de 12 de Março de 2011, mas ao contrário, até dava ‘porrada e tudo’, e, mandava cá uma ‘pica’!

Os paizinhos sustentavam os meninos, sabe Deus como, muitos com imenso sacrifício, provavelmente até deixavam de viver remediados para terem uma vida de pobre, para que os filhos pudessem fazer a vida que não deveria ter sido a sua, mas a dos outros colegas e amigos daqueles dos que sempre estiveram na ‘boa’, ou, mais tarde ou mais cedo iam estar, alguns, poucos, com algum esforço a ‘força do seu próprio pulso e braço’, outros só ‘espreitavam’ a melhor oportunidade.

Passavam a vida lá em casa, fingiam que estudavam juntos, iam ao bar ou à discoteca em grupo, praticavam, poucos, muito poucos, o mesmo desporto, comiam lá em casa, acabavam mesmo por ser convidados para irem passar férias a convite deles com as suas famílias, nos seus ambientes.

Sucesso pedrinha

Agora, claro que seguem a linha do querer para eles e os seus o que aprenderam na altura que era do bom e do melhor, se possível bem melhor, e, disso nunca mais abdicaram, e, como para ter isso nada mais fácil que manter as mesmas velhas, fiéis e boas amizades.

Assim se explica a promiscuidade e o resultado do que é o sistema em que vivemos esta ‘Ditadura Partidocrática’, que não deixa de ser senão o prolongamento da meninice, adolescência e juventude destes rapazes que tomaram de assalto, de tal forma que alguns até tentaram organizações juvenis de partidos diferentes para ver onde conseguiam ‘entrar melhor’, retomando o assalto aos tais partidos que no início acima se menciona, e, algumas raparigas, a maioria suas esposas, poucas seguiram carreiras profissionais ou políticas, uns que estiveram sempre por cima, outros que aprenderam a estar e se ‘borrifaram’ para tudo e todos que um dia disseram defender… até para os pais, irmãos…

É isto a Democracia? Onde? Em que país?

Votar? Como votar? Em que partido votar? 

Votar ou não votar, eis as eleições do meu descontentamento!

Votar Branco, Nulo ou Tinto? Desculpem… ou Abstenção?

publicado por FV às 22:55
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06
Abr 11

VpT

 

 

O conceito do ‘Mal Menor’ esteve sempre presente na nossa vida desde os primórdios e manteve-se, umas vezes mais acentuado, outras menos, numas regiões mais, noutras menos, tal como até atualmente acontece.

Também e quanto mais sentimos a pressão do ‘Mal Menor’ maior é a explosão que tal provoca, senão vejamos o motivo das primeiras lutas entre machos por uma fêmea, entre grupos de uma mesma aldeia por um bocado de terra, entre duas tribos, por um espaço de campo para caça ou pesca, ou mesmo uma disputa por acesso a água, outros conflitos já por diferentes ídolos endeusados a quem era necessário oferecer sacrifícios humanos, de preferência de proveniência de outra região, etc.

Não esqueçamos, isto visto de uma forma simplista, que o homem se organizou por tribos, com o seu chefe, o seu conselho de homens mais idosos e experientes, os seus jovens guerreiros e caçadores, o curandeiro ou bruxo, conhecido por druida em certas regiões de influência celta, aparecendo este modelo em todos os continentes, sendo que para viver assim em comunidade já era necessário utilizar o método do ‘Mal Menor’ para gerir social e economicamente estes pequenos aglomerados.

Neste caso não haveria votações, pois as diferenças deveriam ser resolvidas em lutas, acabando o derrotado, nuns casos por ser mesmo morto ou abandonado à sua sorte para fora da comunidade.

Depois mais tarde vieram as lutas dos escravos pela liberdade e das classes mais desfavorecidas por uma vida melhor, resultando em manifestações agressivas e reprimidas violentamente.

O ‘Mal Menor’ é um lenitivo utilizado frequentemente para ir agradando a ‘gregos e troianos’ mas que vai sempre desagradando a ‘romanos’ e o resultado desta ‘caldeirada’ a determinado momento é como uma panela de pressão a que não se dá um pouco de saída de ar, pura e simplesmente rebenta.

Pior mesmo é quando os ‘gregos e troianos’ vão adormecendo e começam a despertar apercebendo-se que afinal também estão a ser vilipendiados, aí a situação da panela não é nada que se deseje, começam as greves, as manifestações, a instabilidade social, a instabilidade entre os patronos embora até possa ser ‘artificial’ mais lenha deita para a fogueira, salvo o erro, chamam-lhe de crise política, para ver se travam a tal explosão deixando sair um pouco de ar… e alguns ‘gregos e troianos’ aliviam a pressão, mais descansados… logo a seguir já lhes vão dar mais do ‘Mal Menor’, vêm as eleições.

Este conceito persegue-nos através dos tempos, poderá até ter algo a ver com o significado do Sentido da Vida, será que o nosso objetivo, o nosso propósito é conseguir viver sem ser no ou com o ‘Mal Menor’?

É que quando estamos melhor na vida, mais estáveis, felizes, com qualidade de vida, com saúde, quase nem sequer passa pela mente ter que escolher um ‘Mal Menor’, ou, é muito raro que isso aconteça.

Poderíamos dizer que as Grandes Civilizações não tiveram que lidar com este conceito, foram realmente magnífica, criadoras de tanta cultura que continuamos a descobrir e estudar eternamente os ensinamentos que nos deixaram, riquíssimas, por tal motivo de grande bem-estar e conforto.

Mas tiveram que ver com o ‘Mal Menor’, por exemplo, religiosamente, tiveram que escolher deuses, uns mais fortes que outros, e, conforme os ‘sacerdotes’ prediziam e atribuíam a seu bel-prazer aos membros da corte e às famílias dominantes, determinando logo o futuro desejado ou indesejado que lhes desse mais jeito para os seus objetivos a médio e longo prazo, ficando o ‘batizado’ a maior parte das vezes com a sina do ‘Mal Menor’, e, as guerras que tinham que disputar, nem que fosse para se defenderem de invasores, pois tinham, mesmo que não o quisessem que possuir um grande exército e participar em atos de violência, isto porque também muitas dessas civilizações eram guiadas por homens que, como a maioria sempre existem, tinham a ambição de se expandir territorialmente e consequentemente em termos de riqueza cega, não olhando a meios para atingir os seus fins.

Aqui poderemos a abordar o tema dos escravos, povos conquistados, forneciam escravos, castas mais baixas da comunidade, camponeses que não pagassem suficientes impostos, simples ‘criminosos’ que furtavam para dar de comer à família e eram apanhados, eram transformados em escravos, uns que só serviam para abanar os proprietários e seus convivas para afastar o calor e humidade, os eunucos para tratarem as mulheres com outras mulheres escravas, serviçais domésticos, trabalhadores nas grandes obras deixadas para a posteridade, corredores de quadrigas, gladiadores e outros animadores para os espetáculos dos cortesãos e para o povo, ‘dormente’ de tanta festança e fartura que nem se apercebia de que era explorado tal como os escravos através do pagamento de impostos e taxas, só lhes restando a liberdade, pensavam eles… até um dia, serem ‘apanhados’ e ‘passarem’ a escravos de um momento para o outro.

Mas até os escravos tinham o seu conceito de ‘Mal Menor’ ora reparem, os corredores de quadrigas ou os gladiadores, chegavam a obter a liberdade e ganhavam bom dinheiro, os serviçais domésticos que caíssem nas graças dos seus ‘donos’ poderiam ficar gerações ao serviço daquela família, vivendo uma vida que se poderia, ao tempo, considerar até razoável, ressalvando o fato da falta da liberdade e da livre escolha de vida. Ao longo de muitos séculos alguns escravos tiveram a ‘sorte’ de serem como a mobília da casa ou eram como aparelhos agrícolas que tratavam os campos.

A nível pessoal, este conceito também se aplica e de que maneira, lamentavelmente muitos de nós desistimos dos nossos sonhos e/ou projetos por opção própria ou porque temos mesmo que abdicar de o fazer por motivos de saúde, dificuldades financeiras, ou, até outros que sendo tão do foro privado, dificilmente se poderão aqui enumerar mais.

Parece estranho que isto aconteça individualmente, pois se para conviver, ou, viver em grupo ou sociedade, isso possa ser, por vezes, necessário, fazê-lo por opção pessoal soa um pouco despropositado.

Por tal razão existem tantos inadaptados, alguns deles serão por não aceitarem viver com um ‘Mal Menor’, que pode ser o desporto que praticam quando jovens, a profissão que exercem, as pessoas que normalmente têm à sua volta, a forma como ocupam, ou não, os seus tempos livres, a mulher ou o homem com quem acabam por se juntar para iniciar uma vida a dois e provavelmente constituir família, porque a pessoa com quem desejariam mesmo realizá-lo não corresponde a esse desejo, etc.

Não quer isto dizer que o indivíduo não possa ser feliz e não possa sentir-se realizado, mas existem pessoas que realmente nunca o conseguem atingir.

Mas o ‘Mal Menor’ está presente até na preservação da nossa casa, da nossa rua, dos nossos jardins de que vamos abdicando para que se construam mais edifícios, das nossas matas para que se construam relvados só para alguns, das nossas selvas completamente dizimadas para colher madeira em doses industriais, nas nossas nascentes de água, ribeiros e riachos para engarrafar cada vez mais a água que já vai mais cara que o vinho, por cá pela nossa terra, nos nossos rios cortados por barragens que não se percebe bem onde começa e acaba a sua utilidade alterando o equilíbrio natural à sua volta, nos nossos mares e oceanos com tantas espécies em extinção por negligência, vaidade e gula do ser humano que apanha pescado acabado de nascer e outro que depois não mais se poderá reproduzir.

Concluindo e voltando um pouco atrás, aos nossos tempos e a este país, onde há uns anos vivemos politica e descaradamente o ‘Mal Menor’, num sistema que se escuda numa aparente Democracia mas no fundo não deixa de ser uma Ditadura Partidocrática, mas só de alguns partidos, também já chamada em tempos de ‘Pluralismo Democrático’ que era já um embrião do que temos hoje, em que os portugueses, na prática entre outras poucas, mas só alguns e muito poucas atividades, e, tirando outras eleições (Autárquicas, Europeias e Presidência da República), vão votar de quatro em quatro anos em listas de candidatos a deputados de partidos para a Assembleia da República, colocando uma ‘cruzinha’ à frente do símbolo de determinado partido que terá apresentado as suas listas com alguns ‘cabeças de cartaz’ que nem se sabe se depois vão cumprir as suas funções ou serão substituídos por outros que ainda nem sequer tinham aparecido, sendo que uma grande percentagem desse eleitorado, conhecido por flutuante, é assediado a votar ‘útil’, isto é, no ‘Mal Menor’, parecendo até que este conceito se trata de um partido.

O que se passa neste momento em Portugal é ainda mais grave sendo que estamos perante um ‘Mal Menor Necessário’, complicado, nem por isso, é assim:

Temos um governo cujo Primeiro-Ministro apresentou a demissão e ainda hoje em qualquer media os jornalistas escrevem ou falam muito naturalmente, sem que não houvesse mais alternativas, da "aceitação da demissão de Sócrates pelo Presidente da República, a respetiva dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições legislativas intercalares, logo seguida ou perto na paginação é apresentado o resultado da última sondagem já efetuada com a previsão de resultado sendo que PSD e PS ficam com um resultado eleitoral equiparado e a terem que formar governo em conjunto. Os interesses do Poder Económico-Financeiro estarão garantidos. Tudo vai ficar como queriam.

Trocando um pouco por miúdos, foi dito aos portugueses que esta era a opção, quando constitucionalmente o Presidente da República não tinha, porque não era obrigado a dissolver a Assembleia da República e convocar eleições, existiam outras alternativas, primeira opção do ‘Mal Menor’, o que dá menos trabalho e não implica responsabilização do próprio Presidente, nem dos restantes políticos, sendo que deixa nas mão dos portugueses a segunda fase do ‘Mal Menor’, votar num partido, embora uma grande, mas mesmo muito grande parte não se reveja em nenhum deles, indo assim recorrer ao milagroso voto ‘útil’, suprassumo do conceito que intitula este artigo, ficando assim o povo deste país refém deste maravilhoso sistema que se nada fizermos se instalou eternamente até ‘queimar’ tudo o que for ‘combustível’.

 

publicado por FV às 19:54
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