24
Jan 11

Como tudo poderia ser diferente!

É preocupante a falta sintomática e em crescendo das liberdades fundamentais em nome de objetivos suspeitos, em vez da defesa de valores e princípios básicos de cidadania e sã convivência em sociedade.

 

Os Estados têm vindo a demitir-se dos seus deveres de fiscalização e de assegurarem a segurança dos cidadãos dentro dos limites estabelecidos, seguindo pela via mais fácil, também utilizada pelas ditaduras, colocar os próprios cidadãos a denunciarem-se entre si e estabelecendo novas regras e/ou leis que vão retirando as liberdades até agora garantidas, ultrapassando os referidos limites muito para além do aceitável.

Com a nova realidade que é o Terrorismo, em sequência à ‘balda’ que se seguiu à ‘bem’ organizada e controlada ‘Guerra Fria’, perigosa, mas estável e com os inimigos a verem-se bem uns aos outros e a saberem quando e onde estavam a atuar, temos agora um ataque interno desenfreado à nossa maneira de viver, dando assim alguma margem de vitória ao novo inimigo que tem por objetivo instalar o medo e criar este nos estado de sítio em sociedades outrora abertas.

Em determinados períodos o ocidente necessitou de facções no médio oriente e no oriente para combater certos inimigos, deu-lhes treino, alimentou-os, ensinou-os e armou-os. Agora são esses que se voltaram contra nós e é necessário combater.

Mas será que se seguiu o caminho certo?

Cada sociedade tem a sua cultura, sendo que no mínimo o que podemos fazer é ajudar algumas a entender uma nova realidade, mais atual, assim como nós ocidentais fomos evoluindo, essas culturas podem e devem evoluir, mas não é com a força das armas e tendo como verdadeira finalidade as suas riquezas naturais e a Indústria da Guerra, motores das últimas guerras no nosso planeta.

Foi utilizada a diferença racial, a cultura, a religião e que pudesse dividir para aprofundar ódios antigos, tão antigos que alguns estavam mais que enterrados no passado, com uma miscigenação mais que evidente, como na região dos Balcãs, para criar uma montra do negócio de armas e outros negócios, tudo ligado à Indústria da Guerra, acirraram gente doentia e odiosa para matar em massa, como também o fizeram em África e outras regiões do globo.

big_bang

Uma Guerra do Golfo, com transmissão em direto na CNN, acabando por se transformar num dos maiores golpes de marketing internacional jamais vistos, mesmo para uma estação de televisão daquela envergadura, que embora já tivesse uma razoável audiência, passou a ser a mais vista do mundo e até deu para criar um ‘contraditório’ a AL JAZEERA, a ‘CNN’ do outro lado da barricada, aproveitando-se para apresentar a maior Feira Mundial de Armamento nunca antes realizada em canal aberto.

A Ilusão era que tudo estava a ser realizado para libertar o Kuwait? …E Timor Leste, a ser ocupado pela Indonésia, ainda Henry Kissinger levantava voo de Djacarta! Claro que se vivêssemos há alguns anos atrás, muito provavelmente, tudo ficaria dessa forma, com uma contrapartida noutro ponto do globo.

Em Timor Leste também havia petróleo, mas vivíamos outra realidade geoestratégica, o tabuleiro e as peças eram diferentes, o equilíbrio das potências baseava-se ao fim e ao cabo no poderio de duas super-potências.

Depois, como vimos, tudo mudou, o verdadeiro povo de Timor Leste já foi acarinhado pelo mundo ocidental, o chamado ou conhecido por ‘civilizado’, e, com alguma ajuda da nossa persistência, da nossa solidariedade vestida de branco, que atraiu um pouco mais ainda a atenção para os verdadeiros heróis, o povo timorense, mais alguns dos nossos governantes e diplomatas, que recolheram os louros, quase em ‘segredo’, mas que rendeu para o seu currículo, como se veio a verificar mais tarde.

O fenómeno televisivo transformou tudo, deu aos ‘Cinzentões’ o grande instrumento, chegou-se ao ponto de numa incursão de ‘marines’ americanos em território africano que pretendia surpreender o inimigo, para ‘libertar’ o povo de massacres e vandalismo selvagem, neste caso politicamente até bem aplicada, por se tratar de tentativa de salvamento de vidas humanas civis, não fosse o caso da CNN já lá estar, no meio da selva, beira-mar, à espera e a filmar a chegada das tropas… lamentavelmente o ataque e os confrontos não resultaram porque as várias facções rivais se ‘uniram’ na prática e nunca em teoria, saldando-se num desastre para os soldados americanos.

Mas como estas receitas estavam a ter um saldo positivo, do ponto de vista dos números, que é a única coisa que aqueles senhores, lá daqueles gabinetes obscuros, vêm, havia que repetir as doses sempre que a oportunidade surgisse, mesmo viciando dados, interpretando relatórios lidos na diagonal, criando fatos políticos, quem sabe, crimes de ‘sangue’, pergunta que sempre ficou no ar e perdurará porque jamais alguém irá responder a tal, ficará, tal como o assassinato de JFK, um mistério nunca completamente resolvido, verdade é que já foram desmentidas informações que eram confidenciais e as que não eram, comprovadas mentiras não só com confissões arrojadas de alguns, mas também com fatos.

Assim, vieram as guerras do Afeganistão, Iraque II e… esperemos para ver! Não que defenda o que se vivia nessas regiões e o terrorismo que de lá emanava, mas que não era assim que devia ser, está mais que visto, ou, não? As situações de terror e morte nestes países continuam, as populações não têm o que os ocidentais, afinal, lhes iam dar…

A reconstrução destes países resultou em contratos de que não consigo nem contar os zeros, mas as estruturas, antes, as infra-estruturas, mudaram assim tanto mesmo considerando até os valores envolvidos?

Toda esta Indústria de Guerra, antes, durante e pós guerra, gera e faz girar números incalculáveis, fazem enriquecer gente de que nem fazemos ideia, porque a sorte de negócios à volta de uma guerra é tão diversa e dispersa, que até o mercado negro alimenta.

A quem interessa terminar uma mina de ouro como esta, por esse motivo prosseguem os ataques de toda a espécie, não se conseguem desmantelar os grupos que continuam a estar bem armados, porque algo ou alguém os protege e arma, é preciso criar a necessidade de prolongar os militares estrangeiros naqueles países e que se vai falando noutros inimigos de estimação, enquanto se vão aprazando retiradas das zonas agora mantidas sob proteção.

Sempre que se falam em prazos para regressos ou ocorrem eleições, assim como, acontecimentos que mostram avanços para a paz, há um ataque, uma bomba, um retrocesso.

Não querendo dizer com isto que nalgumas situações não fosse necessária a intervenção militar, mas provavelmente, mesmo assim, de outras formas.

É com sabedoria e diplomaticamente, que se transforma o mundo…

E isso, nós portugueses sabemos fazê-lo de forma exemplar, como nenhuns outros, já o demonstrámos no passado, aquando da conquista do nosso território continental, em que muitos dos mouros aqui continuaram com as suas vidas por vontade própria, deduzindo-se que mal não se sentiram e já durante a época dos Descobrimentos de caminhos marítimos e novas terras até aí nunca alcançadas.

Bom, isto se é que os vikings não andaram mesmo por algumas dessas terras, o que há quem o defenda e o esteja a estudar afincadamente por algumas descobertas arqueológicas mais recentes, o que de qualquer modo não nos tira o mérito daqueles grandes feitos.

Levámos a civilização europeia da época, através da paz, da comunicação, do bom relacionamento com esses povos que encontrámos nas terras já habitadas, e, que respeitámos, não excluindo alguns atos de maior pressão e firmeza, quando necessário, assim como, outros atos menos próprios, de gente sem formação e que sempre se encontra em todo o lado, mas nós procurámos o comércio, que fosse a nosso favor, é claro e evidente, nem poderia ser de outra forma, procurámos a riqueza e o poder, mas sem pisar quem não nos recebia agressivamente, só assim utilizámos a força, mas logo tentávamos estabelecer acordos.

Sunset

Utilizámos a religião como elo principal para essa aculturação, na verdadeira acepção da palavra, com troca e interação entre as culturas, sendo abertos também ao conhecimento das tradições e costumes desses povos, porque fomos e somos abertos a novas culturas e isso está patente na nossa própria cultura influenciada e formada por tantas fontes, tantas cores, tantos sons e tantas imagens do mundo.

Tudo isto ao contrário de outros, como a História nos narra, as chacinas, a repressão, a maldade, tudo em nome de um Deus tal como agora, mas sendo o verdadeiro objetivo a ambição da riqueza pela riqueza, do poder pelo poder, sem olhar a meios, ocupando os seus postos de chefia e comando, impondo-se a esses povos, enquanto nós os partilhámos com eles, sempre nos fizemos acompanhar por autóctones em todos os momentos para melhor desbravar o desconhecido.

Por algum motivo, ainda hoje, nós os portugueses somos bem recebidos praticamente bem em todo o mundo e outros não têm esse privilégio, encontramos palavras em português e de origem na nossa língua, lengalengas, cançonetas e outros ‘pormaiores’ que só nos podem deixar orgulhosos de uma História em que os nossos antepassados nos deixaram ficar de cabeça levantada.

Está mais que provado que não é necessária a força das armas, a imposição pela violência de valores ou princípios que acreditamos serem melhores, só quando confrontados com facínoras e radicais que não queiram ver nem deixar os seus povos verem outros caminhos pelos tais interesses de alguns, poucos, ambiciosos que não se apercebem sequer que assim nem têm onde gozar o que ganham de forma tão sangrenta.

Mas para isso não é precisa uma guerra, nem uma invasão de grande aparato, basta policiar com firmeza, estabelecer a ordem e oferecer estabilidade aos povos que o necesitem.

Porque não usar a História e analisar estas formas de influenciar o mundo para termos um planeta melhor?

Será porque o verdadeiro objetivo não é esse, como aqui já se mencionou?

Projeto ‘Tsunami’ by Fernando Venâncio

publicado por FV às 10:25
sinto-me: com esperança!
música: war.Edwin Starr e 1 giant leap-the way you dream
tags:

16
Jan 11

Mais uma mensagem que me chegou às mãos e não posso deixar de partilhar convosco... dei-lhe um jeito e aí vai, pungente!


familia1

Naquela noite, enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei a sua mão e disse: "Tenho algo importante para te dizer".

Ela sentou-se e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento nos seus olhos. De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer-lhe o que estava a pensar. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.
Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: "Porquê?"
Eu evitei responder, o que a deixou muito zangada. Ela mandou os talheres para longe e gritou "você não é homem!".

Divorcio

Naquela noite, nós não conversámos mais. Pude ouvi-la a chorar. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma razão satisfatória para essa questão. O meu coração não lhe pertencia e sim a Teresa.

Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela. Sentia-me muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, o nosso carro e 30% das ações da minha empresa.
Ela pegou no papel tirando-o da minha mão e rasgou-o violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos tornou-se uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia, mas eu não voltaria atrás no que disse, pois amava a Teresa, profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto à minha frente, o que já esperava. Eu senti-me a libertar-me enquanto ela chorava. A minha obsessão pelo divórcio nas últimas semanas finalmente materializava-se e o fim estava mais perto agora.
No dia seguinte, cheguei a casa tarde e encontrei-a sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e adormeci imediatamente, pois estava cansado, depois de ter passado o dia com a Teresa.
Quando acordei a meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu ignorei-a e voltei a ir dormir.
Na manhã seguinte, ela apresentou-me as suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias nós tentássemos viver juntos de forma mais natural possível. As suas razões eram simples: o nosso filho faria os seus exames no mês seguinte e precisava de um ambiente propício para preparar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com a separação dos pais.
Isso pareceu-me razoável, mas ela acrescentou algo mais.noiva_no_colo

Ela lembrou-me do momento em que eu a levei ao colo para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e pediu-me que durante os próximos 30 dias eu a levasse ao colo para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca, mas aceitei sua proposta para não tornar os meus próximos dias ainda mais intoleráveis. Eu contei à Teresa o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a ideia totalmente absurda. "Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; o melhor é ela encarar a situação e aceitar o divórcio”, disse Teresa em tom de gozo.
A minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo "O pai está a levar a mamã ao colo!". As suas palavras causaram-me constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros levando a minha esposa ao colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho "Não conte para o nosso filho sobre o divórcio". Eu balancei a cabeça, mesmo discordando, e, então coloquei-a no chão assim que atravessámos a porta da casa. Ela foi apanhar o autocarro para o trabalho e eu dirigi-me para o escritório.
No segundo dia, foi mais fácil para nós os dois. Ela apoiou-se no meu peito, eu senti o cheiro do perfume que ela usava.

Então percebi que há muito tempo não prestava atenção a esta mulher. Ela certamente tinha envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, o seu cabelo estava a ficar fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela. Por uns segundos, cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.

 

No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior com o corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.
No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada à Teresa, mas ficava a cada dia mais fácil levá-la ao colo do nosso quarto à porta de casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei.
Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles, mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse "Todos os meus vestidos estão grandes para mim". Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.
A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso... Ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração… Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei nos seus cabelos.
O nosso filho entrou no quarto nesse momento e disse "Pai, está na hora de você levar a mamã". Para ele, ver o seu pai carregando a mãe todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa.

Minha esposa abraçou o nosso filho e segurou-o nos seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de ideia agora que estava tão perto do meu objetivo. Em seguida, eu levei-a nos meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada. A sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.
Mas o seu corpo tão magro deixou-me triste.

No último dia, quando eu a segurei nos meus braços, por algum motivo não conseguia mover as minhas pernas. O nosso filho já tinha ido para a escola e eu vi-me a pronunciar estas palavras: "Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo".
Eu não consegui guiar para o trabalho... Fui até à minha nova futura morada, saí do carro apressadamente, com medo de mudar de ideia... Subi as escadas e bati à porta do quarto. A Teresa abriu a porta e eu disse-lhe "Desculpe Teresa. Eu já não quero divorciar-me".
Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa "Você está com febre?".

Eu tirei a sua mão da minha testa e repeti "Desculpe Teresa. Eu não vou divorciar-me. O meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que levei a minha esposa do nosso casamento para a nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe.
A Teresa então percebeu que era sério. Deu-me um estalo, bateu-me com a porta na cara e pude ouvi-la a chorar compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.
Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei uma dúzia de rosas para a minha esposa. A empregada perguntou-me o que eu gostaria de escrever no cartão.

Eu sorri e escrevi: "Eu te levarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe".
Naquela noite, quando cheguei em casa, com as flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama… morta.

Mulher_utero

Minha esposa estava com cancro e andava a tratar-se há vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Teresa para perceber que havia algo que não estava bem.

Ela sabia que morreria em breve e quis poupar o nosso filho dos efeitos de um divórcio, prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós os dois juntos todas as manhãs. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento.

Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício à felicidade, mas não proporcionam mais do que conforto.

cancro-mama

 


Muitos fracassados na vida são pessoas que não perceberam que estavam tão perto do sucesso e preferiram desistir.

 

 

 

publicado por FV às 16:50
sinto-me: em baixo...
música: woman.John Lennon
tags:

13
Jan 11

Não há hipótese! Todos os dias cometo um delito, nem que seja um pequeno, um pequenito.

Tanta gente a dar tanto de si, a todas as horas, todos os dias, a perder horas em transportes públicos, a fazerem grandes caminhadas a pé carregando pesos…

Venho no transporte que apanhei e estou a escutar estórias, sinto-me incomodado.

Quem sou eu? O que fiz? Estou mal? Bem não estou, mas… Não!

Há muita gente que está pior… e esforça-se a todas as horas, todos os dias, nem tem tempo pra dormir… umas duas ou três horitas por noite!

Mas com aquelas idades?

Como pode ser?

 

- É pra ter um teto, é pra ter o que comer, é pra ter prós remédios, destes, oh, destes que tenho que tomar sempre!

- Agora inté deixaram de ser comparticipados… custam € 17,50, na farmácia onde vou, nas outras não sei, agora cada uma faz o preço que quer. Já não vem marcado… quer-se dezer, vem marcado, mas ‘tá riscado, mas prontus, isto dá-me pra um mês, são dois por dia, a caixa tem sessenta.

- Fora os outros e os do mê marido…

- ‘Tou a trabalhar ali na escola logo de manhãzinha, depois vou a casa dar o pequeno almoço e venho ali pra casa duma senhora, a mêo da tarde vou pra outra e lá prás 11 vou tratar da minha casinha e quem lá mora tamém tem dirêtos!

 

Por isso, quando me sento cinco minutos a beber um café, é um pequenito delito, eu sei, não tenho que me sentir culpado, nem traumatizado, mas estou triste, não deveria ser assim!

E os que não têm nem um desses trabalhos, como dizia a senhora?

Como fazem?

Vão ver a exposição de presépios do Palácio de Belém?

Vão à Igreja? Mas as igrejas também já não têm capacidade para ajudar todos!

Ao Estado? Isso? Já disseram que agora só está lá para receber!

Agora estão todos a mobilizarem-se para se ajudar uns aos outros, bonito… há portugueses que quando chamados, mesmo que não tenham, dão!

Já aconteceu mais vezes, para dentro e para fora!

Por isso sinto-me orgulhoso de ser português!

Mas podemos calar o que nos vai na alma?

Deixar que tudo fique na mesma?

Ficarmo-nos sem mais, não estrebuchamos?

A vida tem que continuar e isto é insuportável, assim sendo, quem o sente tem que tomar uma atitude.

Se cada um fizer algo e transmitir a outros o mesmo sentimento e emoção, será que não faremos a diferença?

Muitos portugueses, demasiados, continuam a consumir, a viver como nada se passasse, somos uns campeões de consumo, é por isso que a nossa dívida foi vendida desta forma, mal, e, vem aí o FMI e mais não sabemos o quê…

Os números que transmitimos pró exterior são de um país gastador, com cidadãos com bons rendimentos, ainda em Novembro comprámos automóveis, classe média e média-alta, como se tudo estivesse bem, os hipermercados, centros comerciais, templos sagrados do consumismo, estão cheios e vendem… alguém há-de comprar ou são os espanhóis que não têm crise nenhuma e têm vindo aí em massa?

Temos que travar esta sangria, alertar estes portugueses que, pelos vistos (será?), felizmente estão bem na vida para aguentarem um pouco, refrearem os ímpetos, só por algum tempo, ou, estarão a afundar-se também em empréstimos fáceis que mais tarde lhes vão trazer problemas?

Eles não vêm que só vão engrossar o número dos novos pobres que todos os dias cada vez é mais e mais…

Mas não podemos deixar de viver, ser felizes, agarrar as oportunidades.

Não podemos perder a nossa auto-estima, temos que nos juntar àquela gente boa de que falava há pouco e que andam no terreno, que fazem qualquer coisa, mesmo não estando no terreno, basta um simples gesto, como passar a mensagem, não ir, nem se deixar ir abaixo!

As crises abrem novas janelas e portas, criam novas maneiras de estar sociais, mas para que sejam melhores é necessário puxar por elas, participar, não desanimar, a união faz a força, vamos ajudar-nos todos uns aos outros e transformar esta crise numa ótima oportunidade de vida!

 

 

 

publicado por FV às 16:33
sinto-me: com vontade de lutar!
música: revolution.the beatles
tags:

10
Jan 11

Olhando para as parangonas dos últimos dias, encontramos boas e más notícias, das que nos dão um panorama de motivação, animadoras que nos impulsionam e nos colocam um sorriso na face, mas também estranhas, de desilusão, decepção mesmo, que nos torna mais vulneráveis, com menos vontade de continuar, que nos tira o tal sorriso da cara.

Em ambos os casos por ‘ComIncidência’ duas delas, uma positiva e uma negativa, envolvem portugueses, gente nossa, se gostamos ou não, não interessa, isso agora não é importante, nem interessa mesmo nada.

O fato de nos chegar mais informação e por isso termos mais dados sobre o que se passa no mundo, podermos comparar, verificar paralelismos, encontrarmos as extremidades, os pólos, o positivo e o negativo, o branco e o pretos, o yin e o yang, e, acabarmos por chegar à conclusão que afinal também existe o cinzento e que tudo isto não será só por ‘ComIncidência’ e no fim analisamos tudo isto e será que o que se passa no mundo é ’ComSequência’ do complexo ser humano e determinado pela sua constituição genética, pelo seu meio ambiente que hoje já não é só a sua família e a sua rua, é na prática todo o planeta, ou, o fato de termos acesso a todas estas notícias normalmente bem documentadas, com expressivos comentários e imagens chocantes, por tão reais que são, das já não vê só quem quer, isto entra-nos pela casa a dentro a toda a hora, sem aviso, sem se fazerem anunciar, leva o homem ou a mulher a atos até então impensáveis mas que estão realmente a acontecer, ou, será tudo isto em ‘ConJunto’?

Parece mais um círculo vicioso!

Farol

Então e se o é, temos que o travar, temos que falar, conversar sobre o assunto, não esmiuçar os casos por puro voyerismo, chegou o momento, a gota fez entornar o copo que não estava nem meio cheio, nem meio vazio, como alguns ainda nos queriam fazer crer, falando da perspectiva de se ser otimista ou pessimista, não há mais condições para viver assim e deixar que os nossos filhos vivam numa sociedade tão brutal… sim, porque a tendência é sempre piorar, sempre…

Temos que mobilizar todos para falar sobre o nosso tipo de vida!

Não esmiuçar os casos por puro voyerismo!

Para os que ainda não perceberam ou os que fazem de conta, ou, que andam mesmo distraídos, nem querem saber, ao ponto a que chegámos, aos valores e princípios que se têm perdido pelo caminho, sem procurar responsáveis ou culpados, antes com a vontade de mudar, modificar este estado de sítio em que vivemos, este terrível flagelo em que tornámos a nossa vida, não terá chegado a hora de os alertarmos que estamos a viver no fio da navalha há demasiado tempo e que alguns, demasiados, estão já a sair desse limite e a caírem no próprio fio?

Sem os obrigarmos, só chamando-os à atenção, despertando-os, temos esse dever!

Alguma coisa se poderá fazer para mudar e entre tanta gente boa e inteligente, alguém vai ter ideias, alguém vai mexer-se e encontrar uma forma…

Através da música, da televisão, da arte em geral, chega de fatalidades, não se pode facilitar mais, vamos parar e pensar, conversar, conviver de forma sã, praticar desporto, viver a nossa vida de pequeninos a adultos duma forma normal, sem pressas, cada idade tem o seu tempo, a vida é para se viver passo a passo, ser gozada, vivida, não é para a atropelarmos.

Pergunto a todos os da minha geração, onde param os sonhos, os ideais, os planos por um mundo melhor, em paz, com amor, sem guerra, sem violência… ‘bora lá chegou a hora de nos levantarmos outra vez, vá ainda somos capazes e eles, os nossos filhos e alguns já com netos, sempre estiveram a olhar para nós, vamos deixá-los na mão?

Pois é e não falei nos pássaros… nem tinha essa intenção, mas será que vinham ler isto se o título fosse outro?



 

publicado por FV às 16:44
sinto-me: determinado!
música: pedra filosofal.Manuel Freire
tags:

arquivo
as minhas fotos
subscrever feeds
arquivo
mais sobre mim
pesquisar
 
(O direito de autor é reconhecido independentemente de registo, depósito ou qualquer outra formalidade artigo 12.º do CDADC. Lei 16/08 de 1/4) (A registar no Ministério da Cultura - Inspecção - Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. - Processo n.º 2079/09)