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Ago 11

mundo_deconstruction

Desde sempre ouvi tratar a guerra como algum mal necessário, sempre como a última das ações, quando falham todas as outras.

Na realidade isso é o que menos tem acontecido ao longo dos nossos civilizados tempos.

Já se iniciaram batalhas por cavalheirismo, motivos religiosos, racismo, megalomanias, ideais expansionistas e até por amor.

Nos últimos tempos o fanatismo religioso estava no ‘top’ por ser o principal motivo.

Ainda antes, há relativamente poucos anos, não só o fanatismo religioso, mas uma mistura com puro racismo e ódio, provocou guerras, que perduram e não se ‘apagam’, tal incêndios com o rescaldo mal realizado, entre gentes que viveram anos a fio em conjunto, mesclando famílias e em convívio salutar, sob uma mesma bandeira e um mesmo hino.

Os inimigos conheciam-se e todos os conheciam.

Agora já não é só assim.

Recentemente com o fenómeno do terrorismo, existe um inimigo sem rosto, formado por um vasto leque de gente sem escrúpulos que consegue convencer outra metade sob a bandeira do fanatismo religioso, para os utilizarem em batalhas para as quais não se conhecem os verdadeiros motivos.

Na verdade, gente como Bin Laden e outros conhecidos monstros, mesmo que morram, os seus inimigos não o reconhecem, para manter uma nesga de rosto, algo na bruma, mostrando-nos assim alguns inimigos para que os conheçamos. Só que nem sempre assim é, e, todos o sabemos, alguns, no entanto, não querendo acreditar.

Após ‘atirarem o corpo de Bin Laden ao mar’, havia que encontrar outro rosto, um nome, um objetivo e aproveitando a vaga de movimentos populares pacíficos no Norte de África e Médio Oriente, fácil foi a tentação de se colar a Líbia à mesma luta, porque o líder era e sempre foi um potencial alvo apetecível e que sempre se colocou a jeito.

O Irão e a Coreia do Norte ficaram para trás como inimigos principais, (porque terá havido esta mudança tão brusca, será que esses países deixaram assim de repente de ser ameaças à Paz mundial?), com a nova administração de Obama e depois de Bin Laden havia que encontrar outra guerra que trouxesse valor ao dólar que já o não tem, e, Kadhafi com a sua política de venda de petróleo em euros não estava a ajudar nada.

Não pretendo defender, nem o faria, o regime e sistema que o auto proclamado coronel, presidente da Líbia, mantinha sobre o os seu povo, mas há muito que assim era e não foi novidade nenhuma pelo que não justifica a celeridade e forma como se ajudaram os rebeldes líbios e se têm deixado morrer sírios, sem qualquer intervenção equitativa, num país onde existe uma ditadura talvez pior que na Líbia, mais feroz, que tanto e desde sempre, tal como Kadhafi, apoiou e colaborou na linha da frente com o Terrorismo.

O petróleo e o seu negócio são um dos fatores, mas considero haver, para além dos benefícios para a incansável Indústria da Guerra e todas as atividades que engloba, até mesmo a reconstruição do que destrói… só não traz à vida os mortos daí resultantes… temos o maior investimento e mais importante na água, a de qualidade, que se já não vale mais que o petróleo, passará a valer dentro de muito pouco tempo.

Veja-se a quantidade de rios subterrâneos nos desertos da Líbia que por motivos naturais de fricção das placas têm subido pela abertura de fendas imensas à superfície, assim como a quantidade das obras em curso para a sua extração artificialmente, com os enorme depósitos e leitos artificiais que vão crescendo por aquela nação.

E a falta de uma intervenção vigorosa na Síria poderá ter que ver com alguns acordos que não conhecemos que possam existir entre alguns dos interessados numa maior estabilidade na região, nestes tempos conturbados, e, daí a ‘tranquilidade’ dos EUA em relação ao Irão e vice-versa?

É que em Israel também o povo tem saído à rua e exigido mais democracia e outras liberdades que lhes têm vindo a ser retiradas, se bem que aí por motivos de alta segurança.

Mas os movimentos populares naqueles países até ao momento não têm tido um cariz religioso e de uma luta pela existência ou não de Israel, o que tem espantado e apanhou desprevenidos os líderes mundiais e os grupos dominantes a que gosto tanto de chamar ‘sem rosto’, que à frente de grandes corporações, são os que na verdade dominam o mundo.

E depois de Kadhafi ‘ser suicidado’ e provavelmente atirado ao mar ou para dentro de algum vulcão fumegante… quem virá?

A questão é que já ninguém procura justificar a intervenção armada num conflito e não noutro, já ninguém fala em depor um ditador e levar a esse país a ‘democracia’, porque esta tal como existe, falhou e todos já o constatámos, só falta admitirmos.

Hoje começa-se uma guerra, seja onde for só porque… sim!

Na Líbia e nos outros países não existem só tropas leais ao regime e rebeldes ou manifestantes, também há crianças, idosos, doentes, gente que não se envolve porque tem outras prioridades e esses?      

No meio de tudo isto, andamos nós cada vez mais baralhados e direccionados para o puro consumismo, assim não pensando porque nos andamos a matar e destruir. Os novos modelos disto e daquilo são lançados à velocidade da luz, ferindo-nos os olhos e cegando-nos a alma.

Haja crise ou não… ainda há uma maioria que não se apercebeu em que mundo está a viver, ainda não se apercebeu o que os rodeia e o que, infelizmente, lhes vem ‘bater à porta’, mais tarde ou mais cedo!

Cada vez com menos liberdade e mais presos que nunca, truncam-nos os sentidos e não nos deixam pensar no que realmente é importante.

É este o sentido da vida?

Foi para isto que fomos criados e ocupamos, talvez, o único planeta do sistema solar ou mesmo do universo?

Quem nos deu o direito de destruir o que não é verdadeiramente nosso, mas de todos?

Será necessário chegar a bater fundo, para olhar e ver o que está à vista desarmada, diante de todos?

Só nós temos o poder de parar com este flagelo e terminar de uma vez por todas com esta merda.

Temos grandes exemplos, porém isolados, de como é possível, sem guerras, ganhar batalhas.

Tivemos quem nos avisasse de formas simples, mas fortes, do mal que poderíamos fazer-nos e deixar fazer-nos.

Chegou o momento de dizer:

- BASTA!

Mais casos de agressões gratuitas entre jovens, mais jovens solitários que pegam numa arma e ‘desatam’ a disparar indiferentemente, mais idosos a assaltar casinos como agora esta semana em frança, assaltos de solitários a bancos com a maior das ‘calmas’, mais casos como o da Noruega e com as implicações que nunca iremos conhecer verdadeiramente, mais acertos de contas entre traficantes como no casino em Monterrey, México, onde depois lavrou um grande incêndio com mortos e feridos graves, roubos de metal a que não escapavam igrejas e capelas, agora nem cemitérios e até, em Vale de Cambra, o busto do antigo jogador do F.C. do Porto, Rui Filipe, morto precocemente num acidente de viação, uma simples homenagem da terra que o viu nascer… nem os ladrões já têm ética?

Que mais será necessário acontecer para acabar com isto?

publicado por FV às 15:32
sinto-me: pacífico!
música: drive.The Cars

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