08
Abr 11

Não renego a História de Portugal e o que se passou nos cerca de 900 anos que temos, muito menos nos anos antes do 25 de Abril de 1974, mas o que tenho vontade de escrever é sobre o pós golpe de estado dos cravos, porque tenho andado a pensar nas eleições que eu não penso que não deveríamos ter, pela falta de Democracia e Liberdade em que estamos a viver, pela chantagem, cobardia e irresponsabilidade dos políticos, dos partidos - partidos são constituídos por muita gente, não são? – e do nosso Presidente da República que deixam a responsabilidade de, ‘às escuras’, sem conhecer a real situação do estado, exigir aos eleitores portugueses que decidam o futuro deste país que eles afundaram e que o façam obrigatoriamente escolhendo-os a eles outra vez.

É isto a Democracia? Onde? Em que país?

Votar? Como votar? Em que partido votar?  

eleicao

Votar ou não votar, eis as eleições do meu descontentamento!

Eu, que me zanguei com os políticos portugueses quando o teto para aumentos salariais, no meio também de uma grande crise, era de 17% e na Assembleia da República os deputados da nação se fizeram aumentar, por maioria, a si próprios e respetiva classe, 27%, justificando-se com a dignidade dos cargos e outras patranhas do género?

Que fique claro que estava em início de carreira e passei de um ordenado de cerca de 8 000$00 para 22 500$00, mas rebelei-me por considerar uma injustiça e como é evidente ainda hoje o considero.

Então como é que, hoje, estando a acontecer ainda pior, eu vou votar nesta classe?

Antes, tivemos políticos ‘profissionalões’, que viviam do ‘pensamento’, a ‘intelectualizar’, a lutar, nalguns casos honra lhes seja feita, pelos valores e ideias de justiça e liberdade em que acreditavam, mas de economia, direito, diplomacia, agricultura, engenharia e outros temas importantes também para a governação, nada sabiam, não queriam e nem se queriam rodear de quem realmente entendia e deu no que deu, um embrião do que hoje temos, o ‘Pluralismo Democrático’.

Verdade que essa foi a alternativa a uma mais que provável ditadura de esquerda sem muita eira, nem beira, e, que me perdoem os saudosos desse tempo, sejamos frios e objetivos, andava tudo um bom bocado tresmalhado e com muita gente a querer mandar, na mesma direção ou similar, mas por caminhos… ele havia cada um… ainda assim, já nesse período havia quem argumentasse outros andamentos, acompanhando a modernidade, até a integração na então CEE, mas com cabeça, muita cabeça e no presente seríamos um país diferente e mais importante, diferenciado na Europa, referenciado pela nossa situação geoestratégica em diversas atividades comerciais e industriais, um portal no ocidente para a Europa, África, as Américas, Médio e Oriente.

Já nessa época se falava de Democracia Participativa, essa a verdadeira, a do povo, não a dos partidos e não de todos, a de alguns, a bipolarização e os patinhos feios, recordam-se?

Em vez dessa modernidade saiu-nos outra, a dos governos de políticos tecnocratas, dos oito saltámos para o oitenta, para a política do betão, do alcatrão e do aldrabão, assim como do consumismo desenfreado que nos levou ao próximo, ali já a seguir, endividamento e respetiva crise do país e das famílias, outra que não esta.

É porque esta já de si, até parece cíclico, e, não é que de 10 em 10 anos, aproximadamente, há mesmo uma crise económica como dizem os entendidos, pois bem, esta foi muito bem organizada, planeada e preparada pelos senhores do económico-financeiro para lucrarem antes, durante e após, como se tem estado mesmo a assistir, eles e as suas empresas, leia-se maioritariamente bancos.

Estes, os atuais políticos são os amigos e antigos colegas dos filhos e dos novos banqueiros e financeiros da nossa praça.

Aprenderam com eles a gostar do que é bom e do melhor, nunca querendo mais nada para eles. Esqueceram-se que eram rebeldes, revolucionários, anarquistas, radicais ou extremistas de esquerda, de direita havia poucos, mas também havia, porque aquilo não passou de uma moda e andavam todos juntos naquela festança.

Até se ia mudando conforme havia mais ou melhores miúdas aqui ou ali!

Assim uma espécie de 12 de Março de 2011, mas ao contrário, até dava ‘porrada e tudo’, e, mandava cá uma ‘pica’!

Os paizinhos sustentavam os meninos, sabe Deus como, muitos com imenso sacrifício, provavelmente até deixavam de viver remediados para terem uma vida de pobre, para que os filhos pudessem fazer a vida que não deveria ter sido a sua, mas a dos outros colegas e amigos daqueles dos que sempre estiveram na ‘boa’, ou, mais tarde ou mais cedo iam estar, alguns, poucos, com algum esforço a ‘força do seu próprio pulso e braço’, outros só ‘espreitavam’ a melhor oportunidade.

Passavam a vida lá em casa, fingiam que estudavam juntos, iam ao bar ou à discoteca em grupo, praticavam, poucos, muito poucos, o mesmo desporto, comiam lá em casa, acabavam mesmo por ser convidados para irem passar férias a convite deles com as suas famílias, nos seus ambientes.

Sucesso pedrinha

Agora, claro que seguem a linha do querer para eles e os seus o que aprenderam na altura que era do bom e do melhor, se possível bem melhor, e, disso nunca mais abdicaram, e, como para ter isso nada mais fácil que manter as mesmas velhas, fiéis e boas amizades.

Assim se explica a promiscuidade e o resultado do que é o sistema em que vivemos esta ‘Ditadura Partidocrática’, que não deixa de ser senão o prolongamento da meninice, adolescência e juventude destes rapazes que tomaram de assalto, de tal forma que alguns até tentaram organizações juvenis de partidos diferentes para ver onde conseguiam ‘entrar melhor’, retomando o assalto aos tais partidos que no início acima se menciona, e, algumas raparigas, a maioria suas esposas, poucas seguiram carreiras profissionais ou políticas, uns que estiveram sempre por cima, outros que aprenderam a estar e se ‘borrifaram’ para tudo e todos que um dia disseram defender… até para os pais, irmãos…

É isto a Democracia? Onde? Em que país?

Votar? Como votar? Em que partido votar? 

Votar ou não votar, eis as eleições do meu descontentamento!

Votar Branco, Nulo ou Tinto? Desculpem… ou Abstenção?

publicado por FV às 22:55
sinto-me: indeciso?
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