06
Abr 11

VpT

 

 

O conceito do ‘Mal Menor’ esteve sempre presente na nossa vida desde os primórdios e manteve-se, umas vezes mais acentuado, outras menos, numas regiões mais, noutras menos, tal como até atualmente acontece.

Também e quanto mais sentimos a pressão do ‘Mal Menor’ maior é a explosão que tal provoca, senão vejamos o motivo das primeiras lutas entre machos por uma fêmea, entre grupos de uma mesma aldeia por um bocado de terra, entre duas tribos, por um espaço de campo para caça ou pesca, ou mesmo uma disputa por acesso a água, outros conflitos já por diferentes ídolos endeusados a quem era necessário oferecer sacrifícios humanos, de preferência de proveniência de outra região, etc.

Não esqueçamos, isto visto de uma forma simplista, que o homem se organizou por tribos, com o seu chefe, o seu conselho de homens mais idosos e experientes, os seus jovens guerreiros e caçadores, o curandeiro ou bruxo, conhecido por druida em certas regiões de influência celta, aparecendo este modelo em todos os continentes, sendo que para viver assim em comunidade já era necessário utilizar o método do ‘Mal Menor’ para gerir social e economicamente estes pequenos aglomerados.

Neste caso não haveria votações, pois as diferenças deveriam ser resolvidas em lutas, acabando o derrotado, nuns casos por ser mesmo morto ou abandonado à sua sorte para fora da comunidade.

Depois mais tarde vieram as lutas dos escravos pela liberdade e das classes mais desfavorecidas por uma vida melhor, resultando em manifestações agressivas e reprimidas violentamente.

O ‘Mal Menor’ é um lenitivo utilizado frequentemente para ir agradando a ‘gregos e troianos’ mas que vai sempre desagradando a ‘romanos’ e o resultado desta ‘caldeirada’ a determinado momento é como uma panela de pressão a que não se dá um pouco de saída de ar, pura e simplesmente rebenta.

Pior mesmo é quando os ‘gregos e troianos’ vão adormecendo e começam a despertar apercebendo-se que afinal também estão a ser vilipendiados, aí a situação da panela não é nada que se deseje, começam as greves, as manifestações, a instabilidade social, a instabilidade entre os patronos embora até possa ser ‘artificial’ mais lenha deita para a fogueira, salvo o erro, chamam-lhe de crise política, para ver se travam a tal explosão deixando sair um pouco de ar… e alguns ‘gregos e troianos’ aliviam a pressão, mais descansados… logo a seguir já lhes vão dar mais do ‘Mal Menor’, vêm as eleições.

Este conceito persegue-nos através dos tempos, poderá até ter algo a ver com o significado do Sentido da Vida, será que o nosso objetivo, o nosso propósito é conseguir viver sem ser no ou com o ‘Mal Menor’?

É que quando estamos melhor na vida, mais estáveis, felizes, com qualidade de vida, com saúde, quase nem sequer passa pela mente ter que escolher um ‘Mal Menor’, ou, é muito raro que isso aconteça.

Poderíamos dizer que as Grandes Civilizações não tiveram que lidar com este conceito, foram realmente magnífica, criadoras de tanta cultura que continuamos a descobrir e estudar eternamente os ensinamentos que nos deixaram, riquíssimas, por tal motivo de grande bem-estar e conforto.

Mas tiveram que ver com o ‘Mal Menor’, por exemplo, religiosamente, tiveram que escolher deuses, uns mais fortes que outros, e, conforme os ‘sacerdotes’ prediziam e atribuíam a seu bel-prazer aos membros da corte e às famílias dominantes, determinando logo o futuro desejado ou indesejado que lhes desse mais jeito para os seus objetivos a médio e longo prazo, ficando o ‘batizado’ a maior parte das vezes com a sina do ‘Mal Menor’, e, as guerras que tinham que disputar, nem que fosse para se defenderem de invasores, pois tinham, mesmo que não o quisessem que possuir um grande exército e participar em atos de violência, isto porque também muitas dessas civilizações eram guiadas por homens que, como a maioria sempre existem, tinham a ambição de se expandir territorialmente e consequentemente em termos de riqueza cega, não olhando a meios para atingir os seus fins.

Aqui poderemos a abordar o tema dos escravos, povos conquistados, forneciam escravos, castas mais baixas da comunidade, camponeses que não pagassem suficientes impostos, simples ‘criminosos’ que furtavam para dar de comer à família e eram apanhados, eram transformados em escravos, uns que só serviam para abanar os proprietários e seus convivas para afastar o calor e humidade, os eunucos para tratarem as mulheres com outras mulheres escravas, serviçais domésticos, trabalhadores nas grandes obras deixadas para a posteridade, corredores de quadrigas, gladiadores e outros animadores para os espetáculos dos cortesãos e para o povo, ‘dormente’ de tanta festança e fartura que nem se apercebia de que era explorado tal como os escravos através do pagamento de impostos e taxas, só lhes restando a liberdade, pensavam eles… até um dia, serem ‘apanhados’ e ‘passarem’ a escravos de um momento para o outro.

Mas até os escravos tinham o seu conceito de ‘Mal Menor’ ora reparem, os corredores de quadrigas ou os gladiadores, chegavam a obter a liberdade e ganhavam bom dinheiro, os serviçais domésticos que caíssem nas graças dos seus ‘donos’ poderiam ficar gerações ao serviço daquela família, vivendo uma vida que se poderia, ao tempo, considerar até razoável, ressalvando o fato da falta da liberdade e da livre escolha de vida. Ao longo de muitos séculos alguns escravos tiveram a ‘sorte’ de serem como a mobília da casa ou eram como aparelhos agrícolas que tratavam os campos.

A nível pessoal, este conceito também se aplica e de que maneira, lamentavelmente muitos de nós desistimos dos nossos sonhos e/ou projetos por opção própria ou porque temos mesmo que abdicar de o fazer por motivos de saúde, dificuldades financeiras, ou, até outros que sendo tão do foro privado, dificilmente se poderão aqui enumerar mais.

Parece estranho que isto aconteça individualmente, pois se para conviver, ou, viver em grupo ou sociedade, isso possa ser, por vezes, necessário, fazê-lo por opção pessoal soa um pouco despropositado.

Por tal razão existem tantos inadaptados, alguns deles serão por não aceitarem viver com um ‘Mal Menor’, que pode ser o desporto que praticam quando jovens, a profissão que exercem, as pessoas que normalmente têm à sua volta, a forma como ocupam, ou não, os seus tempos livres, a mulher ou o homem com quem acabam por se juntar para iniciar uma vida a dois e provavelmente constituir família, porque a pessoa com quem desejariam mesmo realizá-lo não corresponde a esse desejo, etc.

Não quer isto dizer que o indivíduo não possa ser feliz e não possa sentir-se realizado, mas existem pessoas que realmente nunca o conseguem atingir.

Mas o ‘Mal Menor’ está presente até na preservação da nossa casa, da nossa rua, dos nossos jardins de que vamos abdicando para que se construam mais edifícios, das nossas matas para que se construam relvados só para alguns, das nossas selvas completamente dizimadas para colher madeira em doses industriais, nas nossas nascentes de água, ribeiros e riachos para engarrafar cada vez mais a água que já vai mais cara que o vinho, por cá pela nossa terra, nos nossos rios cortados por barragens que não se percebe bem onde começa e acaba a sua utilidade alterando o equilíbrio natural à sua volta, nos nossos mares e oceanos com tantas espécies em extinção por negligência, vaidade e gula do ser humano que apanha pescado acabado de nascer e outro que depois não mais se poderá reproduzir.

Concluindo e voltando um pouco atrás, aos nossos tempos e a este país, onde há uns anos vivemos politica e descaradamente o ‘Mal Menor’, num sistema que se escuda numa aparente Democracia mas no fundo não deixa de ser uma Ditadura Partidocrática, mas só de alguns partidos, também já chamada em tempos de ‘Pluralismo Democrático’ que era já um embrião do que temos hoje, em que os portugueses, na prática entre outras poucas, mas só alguns e muito poucas atividades, e, tirando outras eleições (Autárquicas, Europeias e Presidência da República), vão votar de quatro em quatro anos em listas de candidatos a deputados de partidos para a Assembleia da República, colocando uma ‘cruzinha’ à frente do símbolo de determinado partido que terá apresentado as suas listas com alguns ‘cabeças de cartaz’ que nem se sabe se depois vão cumprir as suas funções ou serão substituídos por outros que ainda nem sequer tinham aparecido, sendo que uma grande percentagem desse eleitorado, conhecido por flutuante, é assediado a votar ‘útil’, isto é, no ‘Mal Menor’, parecendo até que este conceito se trata de um partido.

O que se passa neste momento em Portugal é ainda mais grave sendo que estamos perante um ‘Mal Menor Necessário’, complicado, nem por isso, é assim:

Temos um governo cujo Primeiro-Ministro apresentou a demissão e ainda hoje em qualquer media os jornalistas escrevem ou falam muito naturalmente, sem que não houvesse mais alternativas, da "aceitação da demissão de Sócrates pelo Presidente da República, a respetiva dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições legislativas intercalares, logo seguida ou perto na paginação é apresentado o resultado da última sondagem já efetuada com a previsão de resultado sendo que PSD e PS ficam com um resultado eleitoral equiparado e a terem que formar governo em conjunto. Os interesses do Poder Económico-Financeiro estarão garantidos. Tudo vai ficar como queriam.

Trocando um pouco por miúdos, foi dito aos portugueses que esta era a opção, quando constitucionalmente o Presidente da República não tinha, porque não era obrigado a dissolver a Assembleia da República e convocar eleições, existiam outras alternativas, primeira opção do ‘Mal Menor’, o que dá menos trabalho e não implica responsabilização do próprio Presidente, nem dos restantes políticos, sendo que deixa nas mão dos portugueses a segunda fase do ‘Mal Menor’, votar num partido, embora uma grande, mas mesmo muito grande parte não se reveja em nenhum deles, indo assim recorrer ao milagroso voto ‘útil’, suprassumo do conceito que intitula este artigo, ficando assim o povo deste país refém deste maravilhoso sistema que se nada fizermos se instalou eternamente até ‘queimar’ tudo o que for ‘combustível’.

 

publicado por FV às 19:54
sinto-me: bem...
música: Groaning The Blues.Eric Clapton
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