30
Mar 11

Já aqui escrevi, tentei até com um pequeno grupo mobilizar uma saída à rua, frente ao Palácio de Belém, onde como sabem é a residência e local de trabalho oficial do Presidente da República, e, mantenho a minha firme convicção de que a instituição estatal a ser pressionada neste momento da nossa vida como país é exatamente a Presidência da República, independentemente de quem exerça o cargo, daí o local da concentração ser o que acima refiro.

Constitucionalmente, cabe ao Presidente da República tomar a decisão de dissolver, ou não, a Assembleia da República, convocando, ou não, eleições legislativas, ou, tomar a decisão de por sua iniciativa, perante a situação extremamente débil em que Portugal se encontra, encontrar outras alternativas para a recuperação da credibilidade nacional, defendendo assim, até a própria classe política, ou, o que resta dos poucos políticos que ainda se poderão ‘olhar ao espelho’, após todos estes anos.

É evidente que não podemos contar com a colaboração da personalidade Cavaco Silva, temos de contar é em nós portugueses e na nossa capacidade de mobilização e de exigência do melhor para nós, e, isso neste caso só é possível, considerando que estamos no século XXI, que somos pessoas civilizadas e não queremos nem necessitamos de ‘acidentes colaterais’, através da mais alta instância do Estado, obrigando-a a tomar a decisão que o Povo quer, conseguindo nas ruas, além dessa pressão, encontrar a solidariedade internacional que quer queiram ou não, existe e estará sempre do lado da maioria, ainda para mais expressando-se livremente nas praças e avenidas deste país.

Os próprios ideólogos do sistema, porque os tem e bastante inteligentes, sabem muito bem como mover-se neste lodaçal e prevendo algo que poderá ser em grande, bastando para isso recordarem a amostra da passeata de 12 de Março, têm andado num ‘virote’ junto de todos os agentes, incluindo os meios de comunicação social, deste sistema ‘partidocrático’, com o poder nas mãos de certos senhores da área económico-financeira.

Sistema ‘partidocrático’ não é mais senão que uma ditadura de mais que um partido, outrora conhecido por ‘pluralismo democrático’, como o apelidou mais um dos obreiros do mesmo Mário Soares, que já tinha a síndrome de controlar os media, tal como os governantes antes dele e todos os que vieram depois, ditadura porque cada dia que passa nos são retiradas liberdades fundamentais e básicas ao abrigo de obscuras justificações, e, isto quando são dados alguns esclarecimentos.

Até o anúncio de eleições vai ser antecipado para evitar manifestações e saídas à rua dos portugueses.

As imensas dificuldades de agenda do Presidente da República com as visitas do Príncipe Carlos, do ex, Lula da Silva, e, a atual Presidenta do Brasil, como Dilma Rousseff se gosta de apelidar, para reunir o Conselho de Estado e tomar a decisão que nos tem sido dada como falsamente fatal da realização de eleições, foram rapidamente ultrapassadas e solucionadas, como se isso fosse habitual neste nosso Estado.  

Nisto estão eles a ser rápidos e eficazes.

Quando se trata de defender os próprios interesses é vê-los a mexerem-se como nunca o fizeram em favor do país!

Será desta forma que amanhã dia 31 de Março, ao fim da tarde, princípio da noite nos vai ser anunciada a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições, provavelmente já com data e tudo.

O que me parece é que o fantasma dos ‘Brandos Costumes’ continua sobre as nossas cabeças, por tal recebemos tão bem ao conceito do ‘Politicamente Correto’, muito se escreve contra o sistema, muito se mostra a indignação pelo sistema, mas tenho a sensação de que existe um ‘medo’, não o medo físico ou mental superficial, não estou a querer insultar ou ofender ninguém, estou a tentar entender o que nos vai na alma, este ‘medo’ que vos falo é um sentimento que tem a ver com a nossa História, é um ‘medo’ da autoridade, mesmo que essa autoridade não o mereça, nem respeito sequer.

Esta seria a hora de demonstrar o contrário.

Por isso, lembro-vos que o comboio que tem estado parado na estação da esperança, para embarcarmos em direção à mudança de sistema e/ou até de regime, como muitos têm dito e escrito que anseiam, vai partir, a toda a velocidade e ou entramos agora, à voz da última chamada da menina que fala serena e tranquilamente no sistema sonoro, ou vamos ter que andar à procura de um qualquer apeadeiro que poderá ou não aparecer e nem sei daqui a quantos anos, e, se teremos ainda forças e energia, porque até isso eles nos conseguem tirar.

Ah! Para aqueles que tentem entrar com o comboio em andamento, o mais provável é caírem e partirem algum osso ou alguma coisa pior… com ‘danos colaterais’!

 

publicado por FV às 15:18
sinto-me: com pressa!
música: trem das onze.Gal Costa
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CARO AMIGO
Sem muito a acrescentar e revendo-me nas opiniões formuladas, não deixaria no entanto de aproveitar, aqueles que correndo risco de vida queiram apanhar o comboio em movimento !
Todos somos poucos!
Revolta civil é preciso e já!
Rui Costa a 30 de Março de 2011 às 15:36

Grato pela atenção.
De acordo, tem o seu valor, mas se é evitável porque não?
Pacificamente como Gandhi conseguiu em situação muito mais difícil, envolvendo muito mais gente, outro país, exércitos dos mais cruéis que andaram pela História.
Creio que o conseguiríamos mais facilmente e com o apoio unânime ou quase dos povos do mundo, é que cada vez é mais importante contar com os outros, cada vez este Planeta é mais pequeno, não tarda estamos todos juntos à volta do Coreto da Aldeia... global.
A revolta tem que ser civil e limpa, temos que ter a razão e mantê-la do nosso lado, só assim teremos credibilidade e seremos aceites pelos restantes portugueses em uníssono.
Vamos a isto!
FV a 30 de Março de 2011 às 16:07

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