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Mar 11

Um Exemplo Simples - A Publicidade

Tenho procurado um exemplo prático de como se pode transformar as mentalidades, tal como nos fizemos a nós, ao longo dos séculos.

Pois bem, lembrei-me de um bem simples e fácil para eu poder expor sem me atrapalhar muito.

Como é sabido a Publicidade, desde sempre, não é realizada por acaso, por ser ‘engraçada’, por aparecer mais bonita no seu conjunto, tanto no caso das pessoas que aparecem, como nas casas e nos diversos objetos que se mostram, nas vozes ou sons mais agradáveis que se ouvem ou nas imagens mais apelativas.

A Publicidade é muito planeada e organizada, é fruto de estudos que através dos tempos se têm aprimorado, utilizando as inovações e as novas tecnologias, de uma forma deslumbrante e diria até maravilhosa.

Existem criativos nas várias áreas da Publicidade que ultrapassam qualquer barreira conhecida, mas não é só muita imaginação e capacidade de criar a ‘pedrada no charco’, há muito suor, muitos anos a estudar diversas atividades desde sociologia, psicologia, geografia, história, línguas passando por técnicas de motivação, análise de dados estatísticos e leitura de gestos e trejeitos de quem vai recepcionar o anúncio, o ‘jingle’ ou o vídeo, e, já depois da publicidade estática na Web, até a interativa, com excelentes resultados, nalguns casos incutindo os odores de perfumes, ou, realizando provas de café ou de vinhos.    

A Publicidade propõe-se, de uma forma simplista, promover e/ou vender uma e/ou um produto necessitando para isso, a equipa que vai produzir essa campanha, que conhecer aprofundadamente a marca e/ou produto e o mercado alvo a que se deve destinar, isto para não ‘dar tiros no escuro’ como sói dizer-se, que no fundo será rentabilizar ao máximo o orçamento a ser gasto.

Claro que isto se aplica, quase nos mesmos moldes, a personalidades do mundo artístico, financeiro, político e social, assim como a organizações de vária índole e naturalmente a partidos políticos. No caso da política toma-se também pelo nome de Propaganda.

Por isso se fizermos um visionamento de Publicidade na TV, uma audição de ‘jingles’ de rádio ou uma pesquisa de anúncios impressos, podemos ficar com uma ideia do tipo de sociedade existia em determinado período de tempo.

Três exemplos:

1 - Podemos ficar a saber que em Portugal e no mundo ocidental, pelo menos, em determinada época se usava brilhantina no cabelo para o enegrecer e dar um ar brilhante, pela sistemática passagem do famoso anúncio na RTP do restaurador Olex que além do mais restaurava a força do cabelo masculino.

Quem não se lembra ou já ouviu – ‘E um preto com uma cabeleira loura?’

2 – Ficamos a saber também que se começa a falar mais de higiene e a dental, mais em concreto, pela insistência da campanha da pasta medicinal Couto, com um vigoroso artista mostrando uma dentição branca e com dentes fortes a fazer girar uma cadeira, mordendo-a.

3- Mais recentemente, vai-se ficar a saber que os telemóveis chegaram a este país e rapidamente se espalharam por todas as regiões, com enorme êxito, muito simplesmente por um ‘Tô xim… é pra mim?’ de um pastor no alto de um monte que aparecia na TV e que deve, por certo, ser responsável pelo crescimento na utilização destes aparelhos e na quantidade de unidades per capita que se vê.

Onde surge a grande questão é quando acaba por acontecer o contrário, quando a Publicidade inverte os papéis e vem ‘impingir’ uma moda, uma ideologia, uma mentalidade, uma forma de estar, ditar-nos o que é realmente Qualidade de Vida.

Com a evolução dos instrumentos à disposição, com as experiências e testes, com o aprimoramento do estudo, a Publicidade, a partir de determinado momento, passa para afrente da ‘carroça’ e passa a comandar a nossa comunidade, transformando-a nesta sociedade de consumo desregrada, desenfreada que tirou tudo a todos, mesmo àqueles que ainda nem deram por isso.

Assim sendo, vou então ao tal exemplo de que falei… sabendo que até há alguns anos atrás o poder decisório numa família acabava sempre por ser o da mulher, esposa e mãe, a publicidade em todas as suas vertentes era dirigida, de um modo geral ao sexo feminino, fosse um automóvel, uma casa, uma viagem, roupa, etc.

Por causa da Publicidade e da forma como nos começámos a comportar por outros motivos, não só pela Publicidade, bem entendido, embora seja um denominador comum onde quer que cheguemos, a capacidade de decidir e de ter maior influência começou a deslocar-se para os filhos.

Senão vejamos, e, falo também por mim e de forma genérica, salvaguardem-se as excepções que felicito desde já, a quem não soubemos dizer ‘NÃO’ tantas vezes só para não nos aborrecermos, ou, até mesmo porque queríamos dar o que não tivemos no nosso tempo?

O facilitismo no ‘dar’ material aos filhos, bastando que eles peçam, sem aproveitar para qualquer ensinamento, dizendo ‘NÃO’ ou ‘SIM’, sem mais nada, é complicado e aqui dou a mão à palmatória como acima menciono.

Também a existência de muito mais casos de pais separados tem bastante peso neste deslocamento, nalguns casos formando novas famílias em que os filhos não sendo dos dois elementos do casal detêm uma força acrescida.

Aos poucos quem passou a ter o poder de decidir, mais e primeiro, o poder de influenciar, em casa, são as crianças, por isso prestem um pouco de atenção e vejam um pouco de Publicidade na TV, reparem na quantidade de anúncios que são direta ou indiretamente dirigidos às crianças ou jovens, ou, em que lá aparecem pelo menos, é verdade até em anúncios de detergentes para a roupa e outras marcas e/ou produtos que à partida, e, bem pensado não faz sentido nenhum.

Aqui se demonstra a transformação de mentalidades da nossa sociedade com a deslocação do poder de influenciar e decidir a ter passado da esposa/mãe para os filhos.

A Publicidade é um instrumento da sociedade de consumo, está ao serviço do sistema porque vive do e para o sistema, quem paga os meios de comunicação em Portugal e quem paga a Publicidade?

Claro com excepção dos estatais e até esses, neste momento ajuda a pagar, vendo bem a RTP até acaba de apresentar lucros!

publicado por FV às 15:44
sinto-me: transformado?
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