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Mar 11

Entre os diversos comentários que já ouvimos e lemos dos ‘especialistas’ nos nossos meios de comunicação social, assim como de políticos, poucos, relativamente às manifestações do dia 12 de Março em Portugal, parece que nada de novo se passou e tivemos mais uma jornada de festa nas ruas.

Nenhum se referiu à importância do fato de que esse dia foi tão só um degrau de um processo iniciado antes da campanha eleitoral para a Presidência da República e que foi ganhando forma, se foi modelando e apropriado pelos jovens deste país, apartidariamente, acima de ideologias, religiões e raças, transformando-se num fenómeno nacional que há muito, ou, nunca, foi visto no país, e, que prossegue o seu caminho serenamente, com toda a tranquilidade.

Muitos tentaram apoderar-se do movimento, a força do povo demonstrou ser mais forte, outros tentaram absorver o processo para dentro do sistema, quase o estão a conseguir, mas a luta mantém-se persistente sem tréguas, porque o que está em causa é precisamente o próprio sistema e isso seria contra-natura.

Perguntam-se agora os desestabilizadores, mas o que querem afinal estes jovens?

Antes de mais, não são só os jovens, atente-se nas imagens (Viram? Há imagens!), são portugueses de todas as idades, davam para formar um partido, ou poderiam ser mais?

Uma posição está marcada, é que estamos presentes e somos muitos, ainda há os que não puderam ir, os indecisos que depois do que viram, para a próxima vão lá estar, sabem bem que sim… tão bem como eu!

E numa questão somos unânimes, não queremos estes políticos que estão no governo, note-se, será que não estará mesmo em dúvida verdadeiramente se será apenas os que estão no governo mas também os que estão no poder do Estado, a maioria dos políticos, governo, maioria dos deputados, oposição… e até ex-políticos em empresas com intervenção estatal, no fundo os que nos têm (des)governado?

Então e agora?

Vivemos num Estado de direito em pleno século XXI, temos instrumentos para lutar pelos nossos direitos, muitas ideias estão a surgir, há mesmo um ‘Big Bang’ que vai levar a uma solução, é necessário deixar baixar a poeira, é urgente, mas é importante ponderar.

O que está em causa? O sistema, que já não é democrático? O regime que não serve a dimensão e necessidades do país e o sistema? Não precisamos de tanto Estado?

Não será preciso ‘inventar’ nenhum sistema sócio económico e político novo, basta ‘reinventar’ aproveitando o que de bom conhecemos e o ‘Know How’ que tanto temos exportado de jovens brilhantes e que já o afirmaram, salvo raras excepções que sempre existirão: ‘Queremos é ficar em Portugal’.

Com eleições à vista, teremos, entre outras, duas opções.

Se querem ação e começar a ter voz ativa e decisiva têm que decidir-se entre 2 situações.

Uma situação é mudar o sistema dentro do sistema e para isso o voto em branco em maioria, mantendo este Presidente da República como garante do regime vigente, é o instrumento correto e ideal para o fazer demonstrando a desilusão e decepção pelos políticos e partidos nacionais, e, que a legislação eleitoral anula o ato e obrigaria à apresentação de novas listas e à realização de novas eleições.

A outra situação: seria mudar o regime e o sistema político, através da abstenção em peso (80% ou mais), acompanhada de manifestações de rua, espontâneas, imediatas ao fim do dia, obrigando o Presidente da República a reunir o Conselho de Estado e a fazer uma leitura dos resultados eleitorais, reais, tendo que chegar à conclusão que os portugueses querem mais que mudar simplesmente de políticos e de políticas, que querem realmente algo mais.

Então, ainda acreditando que Cavaco Silva pode ser o responsável e garante de uma transição exemplar, poderia ser realizado um referendo onde seria, em concreto, perguntado ao eleitorado se quer o Presidencialismo equilibrado com o Parlamento com deputados em número suficiente e adequado à dimensão do país, com responsabilização direta do seu trabalho, eleitos em eleições diretas com toda a transparência, conhecendo-se os seus bens antes, durante e depois de exercerem o cargo, sendo que caso o mereçam não sejam penalizados por se valorizarem, eles ou familiares.

Teríamos uma sociedade de mérito e não de carreirismo, na política e em tudo.

Obviamente que mais haveria para dizer, mas fica agora assim pela rama...

Querem ação então comecem por optar verdadeiramente no que desejam para o país, ou, venham outras ideias, que serão bem-vindas!

Reafirmo que em simultâneo os portugueses teriam de sair à rua pelo menos em número igual ou superior ao de 12 de Março, mas com uma atitude mais agressiva, note-se que não estou a dizer violenta, agressiva e firme que não deixe dúvidas em relação à expressão da abstenção.

Quanto à maioria do voto em branco apesar de a lei eleitoral o prever, seria conveniente também sair à rua 'não vá o diabo tecê-las'!

 

 

 

 

publicado por FV às 17:48
sinto-me: é agora!
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