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Jan 11

Como tudo poderia ser diferente!

É preocupante a falta sintomática e em crescendo das liberdades fundamentais em nome de objetivos suspeitos, em vez da defesa de valores e princípios básicos de cidadania e sã convivência em sociedade.

 

Os Estados têm vindo a demitir-se dos seus deveres de fiscalização e de assegurarem a segurança dos cidadãos dentro dos limites estabelecidos, seguindo pela via mais fácil, também utilizada pelas ditaduras, colocar os próprios cidadãos a denunciarem-se entre si e estabelecendo novas regras e/ou leis que vão retirando as liberdades até agora garantidas, ultrapassando os referidos limites muito para além do aceitável.

Com a nova realidade que é o Terrorismo, em sequência à ‘balda’ que se seguiu à ‘bem’ organizada e controlada ‘Guerra Fria’, perigosa, mas estável e com os inimigos a verem-se bem uns aos outros e a saberem quando e onde estavam a atuar, temos agora um ataque interno desenfreado à nossa maneira de viver, dando assim alguma margem de vitória ao novo inimigo que tem por objetivo instalar o medo e criar este nos estado de sítio em sociedades outrora abertas.

Em determinados períodos o ocidente necessitou de facções no médio oriente e no oriente para combater certos inimigos, deu-lhes treino, alimentou-os, ensinou-os e armou-os. Agora são esses que se voltaram contra nós e é necessário combater.

Mas será que se seguiu o caminho certo?

Cada sociedade tem a sua cultura, sendo que no mínimo o que podemos fazer é ajudar algumas a entender uma nova realidade, mais atual, assim como nós ocidentais fomos evoluindo, essas culturas podem e devem evoluir, mas não é com a força das armas e tendo como verdadeira finalidade as suas riquezas naturais e a Indústria da Guerra, motores das últimas guerras no nosso planeta.

Foi utilizada a diferença racial, a cultura, a religião e que pudesse dividir para aprofundar ódios antigos, tão antigos que alguns estavam mais que enterrados no passado, com uma miscigenação mais que evidente, como na região dos Balcãs, para criar uma montra do negócio de armas e outros negócios, tudo ligado à Indústria da Guerra, acirraram gente doentia e odiosa para matar em massa, como também o fizeram em África e outras regiões do globo.

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Uma Guerra do Golfo, com transmissão em direto na CNN, acabando por se transformar num dos maiores golpes de marketing internacional jamais vistos, mesmo para uma estação de televisão daquela envergadura, que embora já tivesse uma razoável audiência, passou a ser a mais vista do mundo e até deu para criar um ‘contraditório’ a AL JAZEERA, a ‘CNN’ do outro lado da barricada, aproveitando-se para apresentar a maior Feira Mundial de Armamento nunca antes realizada em canal aberto.

A Ilusão era que tudo estava a ser realizado para libertar o Kuwait? …E Timor Leste, a ser ocupado pela Indonésia, ainda Henry Kissinger levantava voo de Djacarta! Claro que se vivêssemos há alguns anos atrás, muito provavelmente, tudo ficaria dessa forma, com uma contrapartida noutro ponto do globo.

Em Timor Leste também havia petróleo, mas vivíamos outra realidade geoestratégica, o tabuleiro e as peças eram diferentes, o equilíbrio das potências baseava-se ao fim e ao cabo no poderio de duas super-potências.

Depois, como vimos, tudo mudou, o verdadeiro povo de Timor Leste já foi acarinhado pelo mundo ocidental, o chamado ou conhecido por ‘civilizado’, e, com alguma ajuda da nossa persistência, da nossa solidariedade vestida de branco, que atraiu um pouco mais ainda a atenção para os verdadeiros heróis, o povo timorense, mais alguns dos nossos governantes e diplomatas, que recolheram os louros, quase em ‘segredo’, mas que rendeu para o seu currículo, como se veio a verificar mais tarde.

O fenómeno televisivo transformou tudo, deu aos ‘Cinzentões’ o grande instrumento, chegou-se ao ponto de numa incursão de ‘marines’ americanos em território africano que pretendia surpreender o inimigo, para ‘libertar’ o povo de massacres e vandalismo selvagem, neste caso politicamente até bem aplicada, por se tratar de tentativa de salvamento de vidas humanas civis, não fosse o caso da CNN já lá estar, no meio da selva, beira-mar, à espera e a filmar a chegada das tropas… lamentavelmente o ataque e os confrontos não resultaram porque as várias facções rivais se ‘uniram’ na prática e nunca em teoria, saldando-se num desastre para os soldados americanos.

Mas como estas receitas estavam a ter um saldo positivo, do ponto de vista dos números, que é a única coisa que aqueles senhores, lá daqueles gabinetes obscuros, vêm, havia que repetir as doses sempre que a oportunidade surgisse, mesmo viciando dados, interpretando relatórios lidos na diagonal, criando fatos políticos, quem sabe, crimes de ‘sangue’, pergunta que sempre ficou no ar e perdurará porque jamais alguém irá responder a tal, ficará, tal como o assassinato de JFK, um mistério nunca completamente resolvido, verdade é que já foram desmentidas informações que eram confidenciais e as que não eram, comprovadas mentiras não só com confissões arrojadas de alguns, mas também com fatos.

Assim, vieram as guerras do Afeganistão, Iraque II e… esperemos para ver! Não que defenda o que se vivia nessas regiões e o terrorismo que de lá emanava, mas que não era assim que devia ser, está mais que visto, ou, não? As situações de terror e morte nestes países continuam, as populações não têm o que os ocidentais, afinal, lhes iam dar…

A reconstrução destes países resultou em contratos de que não consigo nem contar os zeros, mas as estruturas, antes, as infra-estruturas, mudaram assim tanto mesmo considerando até os valores envolvidos?

Toda esta Indústria de Guerra, antes, durante e pós guerra, gera e faz girar números incalculáveis, fazem enriquecer gente de que nem fazemos ideia, porque a sorte de negócios à volta de uma guerra é tão diversa e dispersa, que até o mercado negro alimenta.

A quem interessa terminar uma mina de ouro como esta, por esse motivo prosseguem os ataques de toda a espécie, não se conseguem desmantelar os grupos que continuam a estar bem armados, porque algo ou alguém os protege e arma, é preciso criar a necessidade de prolongar os militares estrangeiros naqueles países e que se vai falando noutros inimigos de estimação, enquanto se vão aprazando retiradas das zonas agora mantidas sob proteção.

Sempre que se falam em prazos para regressos ou ocorrem eleições, assim como, acontecimentos que mostram avanços para a paz, há um ataque, uma bomba, um retrocesso.

Não querendo dizer com isto que nalgumas situações não fosse necessária a intervenção militar, mas provavelmente, mesmo assim, de outras formas.

É com sabedoria e diplomaticamente, que se transforma o mundo…

E isso, nós portugueses sabemos fazê-lo de forma exemplar, como nenhuns outros, já o demonstrámos no passado, aquando da conquista do nosso território continental, em que muitos dos mouros aqui continuaram com as suas vidas por vontade própria, deduzindo-se que mal não se sentiram e já durante a época dos Descobrimentos de caminhos marítimos e novas terras até aí nunca alcançadas.

Bom, isto se é que os vikings não andaram mesmo por algumas dessas terras, o que há quem o defenda e o esteja a estudar afincadamente por algumas descobertas arqueológicas mais recentes, o que de qualquer modo não nos tira o mérito daqueles grandes feitos.

Levámos a civilização europeia da época, através da paz, da comunicação, do bom relacionamento com esses povos que encontrámos nas terras já habitadas, e, que respeitámos, não excluindo alguns atos de maior pressão e firmeza, quando necessário, assim como, outros atos menos próprios, de gente sem formação e que sempre se encontra em todo o lado, mas nós procurámos o comércio, que fosse a nosso favor, é claro e evidente, nem poderia ser de outra forma, procurámos a riqueza e o poder, mas sem pisar quem não nos recebia agressivamente, só assim utilizámos a força, mas logo tentávamos estabelecer acordos.

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Utilizámos a religião como elo principal para essa aculturação, na verdadeira acepção da palavra, com troca e interação entre as culturas, sendo abertos também ao conhecimento das tradições e costumes desses povos, porque fomos e somos abertos a novas culturas e isso está patente na nossa própria cultura influenciada e formada por tantas fontes, tantas cores, tantos sons e tantas imagens do mundo.

Tudo isto ao contrário de outros, como a História nos narra, as chacinas, a repressão, a maldade, tudo em nome de um Deus tal como agora, mas sendo o verdadeiro objetivo a ambição da riqueza pela riqueza, do poder pelo poder, sem olhar a meios, ocupando os seus postos de chefia e comando, impondo-se a esses povos, enquanto nós os partilhámos com eles, sempre nos fizemos acompanhar por autóctones em todos os momentos para melhor desbravar o desconhecido.

Por algum motivo, ainda hoje, nós os portugueses somos bem recebidos praticamente bem em todo o mundo e outros não têm esse privilégio, encontramos palavras em português e de origem na nossa língua, lengalengas, cançonetas e outros ‘pormaiores’ que só nos podem deixar orgulhosos de uma História em que os nossos antepassados nos deixaram ficar de cabeça levantada.

Está mais que provado que não é necessária a força das armas, a imposição pela violência de valores ou princípios que acreditamos serem melhores, só quando confrontados com facínoras e radicais que não queiram ver nem deixar os seus povos verem outros caminhos pelos tais interesses de alguns, poucos, ambiciosos que não se apercebem sequer que assim nem têm onde gozar o que ganham de forma tão sangrenta.

Mas para isso não é precisa uma guerra, nem uma invasão de grande aparato, basta policiar com firmeza, estabelecer a ordem e oferecer estabilidade aos povos que o necesitem.

Porque não usar a História e analisar estas formas de influenciar o mundo para termos um planeta melhor?

Será porque o verdadeiro objetivo não é esse, como aqui já se mencionou?

Projeto ‘Tsunami’ by Fernando Venâncio

publicado por FV às 10:25
sinto-me: com esperança!
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